Nos últimos anos muito se discutiu a respeito do futuro dos motores veiculares
no mundo, principalmente com a entrada dos veículos híbridos e elétricos no
mercado global, o que possivelmente aposentaria a tecnologia dos motores Otto.
Em recente simpósio de Inovação Tecnológica e tendências globais da SAE, observamos
em diversos dos trabalhos apresentados, que as opções energéticas para a
propulsão dos veículos serão complementares e não excludentes.
É fato que os veículos eletrificados e elétricos ocuparão seu lugar no
futuro, porém com base em diversos estudos e pesquisas das mais diferentes e
renovadas fontes, nota-se que por volta do ano 2025 estes modelos representarão
apenas 15 a 20 % dos veículos produzidos no mundo, tendo no Brasil um percentual
de penetração ainda menor.
Se observarmos as tecnologias futuras, apenas os veículos movidos
eletricamente através de baterias não possuem um motor de combustão interna.
Todas as outras tecnologias de propulsão, como os híbridos em suas mais
diversas configurações, tem um motor de combustão interna como parte de seu
sistema. Fica claro que os motores de combustão interna, e entre eles os
motores Otto, ainda vão dominar o mercado mundial como sendo a principal fonte
de propulsão para os veículos nos próximos 20 anos.
Os maiores impulsionadores de tecnologia são, mundialmente, os
conjuntos de leis ambientais cada vez mais rigorosas na redução dos poluentes e
nas regulamentações de redução de consumo de combustível do veiculo. Em
particular no Brasil direcionado pelos limites de emissões de poluentes
regulados pelo PROCONVE, pela etiquetagem veicular gerenciada pelo IMETRO e pela
recente lei intitulada “INOVAR AUTO” do Governo Federal, que entre outras
medidas, incentivam através de redução de impostos o aumento da eficiência
energética dos veículos para 2017. Isto faz com que a indústria nacional invista
hoje pesadamente em pesquisa e desenvolvimento, para melhorar a eficiência
energética do veiculo como um todo e principalmente na área das novas
tecnologias de motores que representam cerca de 30 % das perdas de energia em
um veiculo.
Entre as tecnologias que vem sendo aplicadas e pesquisadas, com
potencial de redução de consumo de combustível e redução de emissão de
poluentes, estão: A sobrealimentação com a redução do tamanho dos motores
conhecida como “downsizing”, a injeção de combustível direta, os novos sistemas
de ignição, os sistemas do tipo “start – stop”, os sistemas auxiliares
elétricos, a desativação de cilindros dos motores, os novos lubrificantes, as
bombas de combustível variáveis, a redução de atrito interna nos motores
através de tecnologias de metalurgia, o gerenciamento térmico do motor, o reaproveitamento
termoelétrico “Heat recovery” e os sistemas de válvulas variáveis, que podem
gerar individualmente de 1 a 17 % de redução de consumo de combustível.
Podemos esperar para o Brasil em um curto prazo de tempo (2017), de
certa forma pressionadas pelo INOVAR AUTO,
as mesmas novidades tecnológicas que vem sendo aplicadas globalmente aos
motores OTTO. Exemplo disso é que algumas montadoras já disponibilizam parte
dessas tecnologias de ponta em seus modelos mais luxuosos, devendo por força de
lei e de um mercado cada vez mais exigente, migrar estas tecnologias para os
modelos de entrada (básicos, aqui chamados de populares).
Henrique Basílio Pereira
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